Jogos Vorazes, mas sem tanta política e com muito tiro na cara: Battle Royale

Comecei a ler Battle Royale porque adoro Jogos Vorazes e fiquei na expectativa dele ser melhor ainda. Terminei sem achar que ele seja melhor, mas também não acho que seja pior que Katniss e sua turma. Explico: a construção de mundo dele para além dos jogos é menor do que em Jogo Vorazes. Enquanto Suzanne Collins faz uma explícita crítica ao capitalismo, à especularização da desgraça, à desigualdade social e regimes fascistas que tem o capital como principal arma de controle; Koushun Takami simplifica tudo a apenas um governo totalitário (que se você ler nas entrelinhas, vai ter uma grande pitada de crítica ao governo comunista da Coreia do Norte). 

Battle Royale cresce quando a gente analisa o jogo e a construção dos personagens. Acompanhamos diferentes pontos de vista, não só dos (claramente) protagonistas, o que traz uma carga dramática maior para o livro. Como não se emocionar ao ler os sonhos de adolescente de uma menina apaixonada por um boy que ela nunca vai ter? Chorei em alguns momentos, confesso. Outro ponto alto da trama é a forma que ela é escrita e a divisão de capítulos: tudo muito sucinto, direto ao ponto e sem enrolação. As mais de 600 páginas fluem rapidamente. 

De pontos negativos destaco aqui: 

(1) os estereótipos. Terminei o livro sem entender porque um adolescente decidiu que seria de bom tom matar a sangue frio a maioria dos seus amigos de classe e também sinto que conheci bem pouco as personagens femininas, sendo elas apenas utilizadas como recurso de crescimento na narrativa dos personagens masculinos. 

(2) esse livro cheira ao final dos anos 90 e todas as discussões que ainda não haviam estourado na época. Há homofobia com o ÚNICO personagem gay na trama e cinquenta mil casais heteros. Representatividade? *risos*. 

(3) rola um Deus ex machina no final pra salvar os mocinhos bonzinhos (clichê, de novo). 

(4) onde esses adolescentes aprenderam a atirar, fugir, pensar, se esconder dessa forma?! Se soltasse minha turma de 1º ano do EM na mata e dissesse pra matar uns aos outros o máximo que a gente ia fazer é uma roda de choro antes de geral ser morto porque o tempo estourou. A habilidade desses jovens com as armas é admirável. Nem a PM carioca sabe lidar tão bem com uma metralhadora. 

Por fim, acho o livro muito gostosinho de ser lido e um entretenimento de ótima qualidade. Além disso, ele serviu para introduzir a rinha de crianças/adolescentes na cultura pop mundial e só por isso já vale super a pena. 

Recomendo!

4,5 ⭐

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