O tal do passing
Já tive vários momentos em minha vida que queria apenas dormir e acordar branca. Na infância, na adolescência, na vida adulta. A paz comigo mesma só chegou após os 30 - mas não em toda plenitude, confesso. Ainda tem momentos que penso que seria mais fácil ser branca. Acho que teria mais amor na minha vida, caso eu dormisse e acordasse branca. Então que eu leio livros sobre passibilidade branca (passing) e meio que entendo o que leva aquelas personagens principais a fingirem ser brancas, já que a cor da pele delas permite. É ambígua a sensação e me causa certo medo quando estou lendo: ao mesmo tempo que entendo, eu não concordo; ao mesmo tempo que compreendo, eu fico com raiva. Bom, então que eu li essas duas histórias: comecei com o clássico estadunidense, Identidade , da Nella Larsen, e agora, agorinha mesmo acabei de ler (o também estadunidense) A metade perdida , da Brit Bennet. Mais de 80 anos separam as duas obras e acho que, no final das contas, isso importou muito par...